29 de outubro de 2010

Diamond Rings - Special Affections

Álbum de estréia absolutamente viciante o desse rapaz. Impossível não deixar canções contagiantes como "Wait and see" (vídeo aqui) ou "On Our Own" grudarem no seu cérebro. 
A pegada é um pop bem simples, acessível, com uma sonoridade retrô, anos 80, com algumas batidas que fazem a coisa soar até meio amadora em alguns momentos (como a batida meio tosca a lá funk carioca da genial "Something else" - vídeo aqui). Mas é tudo intencional, e o resultado é excelente! Pelo menos o suficiente para ter me viciado durante as últimas semanas!
Bacon!

Diamond Rings - Special Affections (2010)
1. Play By Heart
2. Wait And See
3. On Our Own
4. You And Me
5. Give It Up
6. Pre-Owned Heart
7. Something Else
8. You Oughta Know
9. It's Not My Party
10. All Yr Songs

23 de outubro de 2010

Joshua Radin - The Rock And The Tide

Depois de dois álbuns de indie-folk-mela cueca (prato cheio para trilha sonora de seriados televisivos, de onde vc talvez conheça a voz desse moço), Joshua Radin resolveu ousar e caminhar em direção ao indie-rock. Graças a Deus! Eis que temos aqui um álbum mil anos luz mais interessante que seus dois precedentes!
As baladinhas tradicionais (como o single "Streetlight" ou a ótima "You Got What I Need") se alternam de uma forma mais equilibrada no álbum com canções mais animadas como "Here We Go" (que eu adoro), e "We Are Only Getting Better" (que é outra de minhas favoritas). "Nowhere To Go" é outro ponto alto. Recomendo!
Não desista de nenhuma canção antes de seu refrão. Uma vez ultrapassado, elas elas soam absolutamente cativantes, grudentas e delicioas! Vale muito a pena!
Bacon!


Joshua Radin - The Rock And The Tide (2010)
1. Road To Ride On
2. Streetlight
3. Here We Go
4. We Are Only Getting Better
5. The Rock and The Tide
6. You Got What I Need
7. Nowhere to Go
8. Think I'll Go Inside
9. The Ones With The Light
10. You're Not As Young
11. One Leap
12. Wanted
13. Brand New Day - Reprise

21 de outubro de 2010

Amalia Rodrigues & Don Byas - Encontro

A exemplo do Blues, também o Fado é um estilo musical cuja estrutura simples e repetitiva ganha valor e interesse basicamente por seus intérpretes. Nesse sentido, cada gravação é uma fotografia de um momento abolutamente único.

Em visita a Lisboa em 1968, arranjou-se um encontro entre Don Byas, saxifonista de Jazz americano, e Amália Rodrigues, então no auge de sua carreira internacional. Jazz encontra o fado. Uma cantora e um saxofonista com extraordinário talento para improvisação. Don não conhecia bem o repertório de Amália. Ela, por sua vez, escolheu algumas de suas canções  favoritas e junto de seus músicos de sempre (violão acústico e guitarra portuguesa)enfiaram-se todos num estúdio. Doze canções gravadas numa sessão única, sem preparação nenhuma.
O resultado é, no mínmo, muito interessante. Se por um lado encontramos Amália numa das suas melhores performances registradas em estúdio, perfeita e irretocável com seus músicos do começo ao fim, nos deparamos com um Don Byas bastante perdido, tímido, tateando as canções.

Há momentos que mais fazem lembrar música de pizzaria (como o solo de sax em "Ai, mouraria", que mesmo assim,  é engraçada).  Em outros momentos, com intervenções mais tímidas e contidas, o sax realmente contribui para acentura o tom melancólico na bela "Cansaço" ou na fantástica "Maldição" que ganha aqui, na minha opinião, sua gravação definitiva. Vale muito a pena!
Bacon!

01. Povo que Lavas no Rio (Pedro Homem de Mello/Joaquim Campos)
02. Solidão (Brito/Trindade/Ferreira)
03. Estranha Forma de Vida (Amalia Rodrigues/Alfredo Duarte “Marceneiro”)
04. Libertação (David Mourao-Ferreira/Santos Moreira)
05. Cansaço (Fado Tango) (Luis Macedo/Joaquim Campos)
06. Rua do Capelão (Frederico de Freitas/Joao Alves Coelho)
07. Ai, Mouraria (Amadeu do Vale/Frederico Valerio)
08. Não é Desgraça ser Pobre (Norberto Araujo/Jose Alfredo Santos Moreira)
09. Coimbra (Jose Galhardo/Raul Ferrao)
10. Lisboa Antiga (Jose Galhardo/Raul Portela)
11. Há Festa na Mouraria (Antonio Amargo/Alfredo Duarte “Marceneiro”)
12. Maldição (Armando Vieira Pinto/Alfredo Duarte “Marceneiro”)

Gravado em 1968
Amália Rodrigues– vocal
Don Byas– Sax
José Fontes Rocha– violão
Carlos Gonçalves– violão
Pedro Leal– Viola portuguesa
Joel Pina–  baixo

18 de outubro de 2010

Michael Lord - Sway

Longe de ser genial, esse é um bom álbum com algumas ótimas músicas. 
Posto ele aqui em especial por conta de uma que eu adoro: a deliciosa "Bleed". Mas o álbum tem outros pontos altos, como "What Have You Got To Lose" e "Forgiven". Sem falar em "Smile" que, escolhida pelo Itunes Store como "single of the week" em 2004, foi um dos responsáveis pelo moço ter ganhado a visibilidade que lhe levou a ir fazer músicas para seriados da TV!
Bacon!

Michael Lord - Sway  (2004)
1. Come To Me
2. Forgiven
3. What Have You Got To Lose
4. Spin
5. Bleed
6. Some Days
7. Holding My Breath
8. Home
9. Suitable To Frame
10. Smile
11. Charity

5 de outubro de 2010

Braimpool - You are here

O quarteto Brainpool foi um imenso sucesso na Suécia nos anos 90. Apadrinhada pelo homem por detrás da banda Roxette (Per Gessle), lançaram 3 álbuns de canções rock divertidas, criativas e grudentas, até que seu vocalista resolveu deixar o grupo. O trio remanecente resolveu seguir com a banda, que acabou  indo por outras direções musicais (muito melhores, ao meu ver). O som amadureceu, ganhou qualidade e originalidade. "You are here" é o primeiro álbum de inéditas dessa nova fase. 
Esse salto de qualidade não foi à toa: desde 1996, Cristoffer Lundquist (baixo no Brainpool) passou a colaborar assiduamente com Per Gessle, tocando, gravando e na produção de seus álbuns solo, a ponto de passar a integrar a banda Roxette. O baterista Jens Jonanson também colaborou em todos os projetos (e turnés) pela suécia de Gessle.
"You are here" é um álbum indie/ rock fantástico que, por vezes, lembra muito a sonoridade de bandas anos 80 como Duran Duran (como na EXCELENTE "Intercity"). Em outros momentos, soa bem mais clássico, como na ótima "Into The Crowd". Mas sobretudo soa muito consistente e madura. Outros dois pontos altos são "Live - Transission" e "Walk On By".
Bacon!
Braimpool - You are here (2005)
1. Penguin Rock
2. Live - Transmission
3. You Are Here
4. God Bless Free Radio
5. Here Comes The Weekend
6. Walk On By
7. Into The Crowd
8. Intercity
9. City of Glass
10. Saviour
11. Cars
12. Reason

2 de outubro de 2010

Edward Sharpe & The Magnetic Zeros - From Below

Nova descoberta: banda na linha repartição pública, com tantos membros que vc não consegue identificar exatamente quem faz o que... uma coisa meio Belle and Sebastian nesse sentido. Eles fazem um indie folk hippie (adorei essa classificação que li num outro blog!) muito bom. 
Canções bastante elaboradas (era o mínimo prá se esperar de uma banda com tanta gente...), inteligentes, gruudentas, muito bem feitas, daquelas que começam pianinho e terminam grandiosas. Adoro essas coisas.
"Home" é o primeiro single do álbum e tem essa vocação mesmo: gruda imediatamente. "Brother" é uma canção linda, dessas que soam tão familiares que parece até que vc já ouviu num álbum antigo do Crosby, Stills, Nash & Young. E por fim, "Carries on" que é meio um mantra delicioso, prá se ouvir repetidamente. Foi a primeira coisa deles que ouvi e me arrebatou completamente. 
Bacon!
Edward Sharpe & The Magnetic Zeros - From Below (2009)
01. 40 Day Dream
02. Janglin
03. Up From Below
04. Carries On
05. Jade
06. Home
07. Desert Song
08. Black Water
09. Come In Please
10. Simplest Love
11. Kisses Over Babylon
12. Brother
13. Om Nashi Me

30 de setembro de 2010

Vítor Ramil e Marcos Suzano - Satolep Sambatown

Há alguns anos venho acompanhando os álbuns de Vítor Ramil e sempre me surpreendo com o quanto o cara é bom e o quanto não faz sucesso. Poeta talentosíssimo, compositor de peso, cantor competente, voz deliciosa, arranjos refinados, repertório admirado e regravado por muitos... É realmente inexplicável.
Esse é seu penúltimo álbum em parceria com o percussionista Marcos Suzano (que ganhou fama e visibilidade acompanhando Lenine e Moska, por exemplo). O álbum é excelente, do começo ao fim, e conta ainda com as participações especiais de Jorge Drexler e Kátia B
Todas as músicas são de autoria de Ramil, exceto pela letra de "a word is dead" que é uma poesia de Emily Dickinson musicada por Vitor. "A ilusão da casa" é uma das minhas favoritas, e já ganhou gravações de Rubi (2007) e Adriana Maciel (2000). "Que horas não são" é outro ponto alto do álbum e "Astronauta lírico" é uma verdadeira obra prima. Minha favorita!
Bacon!
Vítor Ramil e Marcos Suzano - Satolep Sambatown (2007)
01. Livro Aberto
02. Invento
03. Viajei
04. Que Horas Não São? (com Kátia B)
05. O Copo e a Tempestade
06. A Zero por Hora (com Jorge Drexler)
07. 12 Segundos de Oscuridad
08. A Ilusão da Casa
09. Café da Manhã
10. A Word is Dead
11. Astronauta Lírico

28 de setembro de 2010

Son of a plumber

Revisitar nossas raízes faz parte do caminho natural do ser humano. Numa certa altura, olhamos prá trás e identificamos a semente, o momento de nascimento de tudo o que somos e fazemos. E isso, quase sempre, acaba reforçando a identidade que desenvolvemos ao longo dos anos.
Foi assim que nasceu esse álbum de Per Gessle: revendo seus LPs de juventude, o impulso de compor músicas inspiradas nas sonoridades dos anos 60 e 70, bandas que ele admira e o influenciaram. Ouvimos aqui ecos de Sony and Cher e Nancy Sinatra, The Byrds, Beach Boys, Stones e tantos outros. 
O pseudônimo foi uma estratégia de liberdade artística: para dissociá-lo da referência imediata do Roxette. E esse é o grande mérito desse álbum: a liberdade de composição e a falta de compromisso com sonoridades, estéticas, estruturas musicais, público, etc. Canções instrumentais se misturam com baladas pop e canções experimentais. Temos até uma pequena sequência de canções emendadas (the junior suit).
A banda que o acompanha é de primeira: Clarecen Oferman (Roxette), Christoffer Lundquist e Jens Jansson (Braimpool) e Helena Josefsson (Sandy Mouche). O resultado é genial, um dos meus álbuns favoritos de sempre. 
Pontos altos: "C´mon" que faz lembrar Prince, a belíssima "Later, later on" que dá uma pirada no final, a deliciosa "Drowning in Wonderful Thoughts about Her" que reaparece numa reprise curta no fim do álbum e, por fim, a linda "Substitute (for the Real Deal)". 
Bacon!

Son of a plumber (Per Gessle Project) (2005)
DISC 1
1. "Drowning in Wonderful Thoughts about Her"
2. "Jo-Anna Says"
3. "I Have a Party in My Head (I Hope it Never Ends)"
4. "C'mon"
5. "Week With Four Thursdays"
6. "Hey Mr DJ (Won't You Play Another Love Song)"
7. "Late, Later On"
8. "Ronnie Lane"
The "Junior suit":
  9. "Are You an Old Hippie, Sir?"
  10. "Double-headed Elvis"
  11. "Something in the System"
  12. "Speed Boat to Cuba"
  13. "Come Back Tomorrow (And We Do it Again)"

DISC 2
1. "Kurt - The Fastest Plumber in the West"
2. "I Never Quite Got over the Fact that the Beatles Broke Up"
3. "Substitute (for the Real Deal)"
4. "Waltz for Woody"
5. "Carousel"
6. "I Like it Like That"
7. "Something Happened Today"
8. "Brilliant Career"
9. "Burned out Heart"
10. "Drowning in Wonderful Thoughts about Her" (reprise)
11. "Making Love or Expecting Rain"
12. Hidden track: Jo-anna says

25 de setembro de 2010

Eskobar - Eskobar

Esse trio de suecos que já está na estrada desde 2000, quando lançaram seu primeiro álbum. No entanto, continuam pouco conhecidos mesmo após a pequena fama com o single de 2002 "Someone new" (vídeo aqui), gravado com a cantora Heather Nova (a linha de baixo dessa música é muito legal!). 
E essa pouca fama é algo que surpreendente, por os caras fazem um som pop/ folk delicioso, inteligente, de alta qualidade, que passa desde canções mais pop (como a ótima "When You're Gone"), que fazem lembrar MUITO Coldplay, até canções super introspectivas e sombrias (como "The Art Of Letting Go", que abre o álbum de um jeito meio do avesso). 
Meus destaques são: a intensa "Immortality", a animada "Persona Gone Missing" e minha favorita absoluta: a baladinha "Devil Keeps Me Moving".
Bacon!


Eskobar - Eskobar (2006)
1. Art Of Letting Go
2. By Your Side
3. Persona Gone Missing
4. Some Of Us Got Paid
5. Whatever This Town
6. Heads Of The Gods
7. Devil Keeps Me Moving
8. When You're Gone
9. Immortality
10. Champagne

4 de setembro de 2010

Wild Beasts - two dancers

Esse ingleses foram amplamente aclamados pela qualidade e inventividade desse seu terceiro álbum na ocasião de seu lançamento em 2009. Depois de dois ótimos álbuns precedentes, esse mantém a qualidade e ainda supera as espectativas.
Canções impressionantes, bem produzidas, contagiantes, hipnóticas, com uma pegada meio experimental, meio dançante, que fazem lembrar David Bowie, TV on the radio e coisas do tipo. Ou seja: nada de apelo comercial, mas de altíssima qualidade!
Foi um dos álbuns mais frequentes em todas as listas de "melhores álbuns" de 2009. E isso é sempre um termômetro interessante porque afinal, tanta gente assim não pode estar errada! E eu acho que não está mesmo: o som deles é genial!
Bacon!

(Bacon retirado por queixa dos malas do DMCA)

Wild Beasts - two dancers (2009)
01 The Fun Powder Plot
02 Hooting and Howling
03 All the King's Men
04 When I'm Sleepy...
05 We Still Got the Taste Dancin' on Our Tongues
06 Two Dancers (i)
07 Two Dancers (ii)
08 This Is Our Lot
09 Underbelly
10 Empty Nest